Se você está buscando aprender sobre investimentos e como precificar ativos no mercado financeiro, é essencial conhecer o Modelo de Gordon. Esse modelo, também conhecido como modelo de crescimento de dividendos, é amplamente utilizado para estimar o valor de uma ação com base nos dividendos futuros esperados e em uma taxa de crescimento constante. Neste artigo, vamos explorar o que é o Modelo de Gordon, como ele funciona, seus pontos positivos e limitações, além de mostrar como calculá-lo na prática.
Neste artigo você vai ler:
O que é o Modelo de Gordon?
O Modelo de Gordon é uma ferramenta de valuation que auxilia os investidores na precificação de ativos financeiros, principalmente ações que pagam dividendos regularmente. Ele se baseia na premissa de que os dividendos pagos por uma empresa crescerão a uma taxa constante no longo prazo. Isso significa que o investidor assume que os fluxos de dividendos serão previsíveis e que o crescimento será sustentável ao longo do tempo.
É um modelo interessante para quem busca renda passiva, pois se concentra na expectativa de crescimento dos dividendos, mas é importante utilizá-lo com cautela, especialmente porque os pressupostos do modelo nem sempre condizem com a realidade do mercado. As empresas geralmente enfrentam flutuações, e os dividendos nem sempre crescem de forma constante.
Como Funciona o Modelo de Gordon?
O Modelo de Gordon é utilizado para calcular o valor presente dos fluxos de dividendos futuros. Ele parte de três variáveis principais:
- Dividendos por Ação (D): Este valor corresponde aos dividendos esperados para o próximo ano.
- Taxa de Crescimento dos Dividendos (g): É a taxa estimada de crescimento anual dos dividendos no longo prazo.
- Taxa de Desconto (k): Representa o retorno exigido pelos acionistas para investir naquela empresa.
A fórmula do Modelo de Gordon é dada por:
Preço da Ação (P) = Dividendos por Ação / (Taxa de Desconto – Taxa de Crescimento)
Ou seja:
P = D / (k – g)
Vamos ilustrar com um exemplo. Suponha que uma empresa chamada XYZ pague R$ 1,00 de dividendo por ação no próximo ano, com um crescimento esperado dos dividendos de 2% ao ano. Se os investidores exigirem um retorno de 10%, o valor da ação seria:
P = 1,00 / (0,10 – 0,02) = 1,00 / 0,08 = R$ 12,50
Dessa forma, utilizando o Modelo de Gordon, o valor justo da ação seria de R$ 12,50.
Aplicabilidade do Modelo de Gordon
O Modelo de Gordon é ideal para empresas maduras que apresentam crescimento constante e previsível dos dividendos. Empresas de setores tradicionais, como energia elétrica ou saneamento, que tendem a ter um crescimento estável, são bons exemplos de situações em que o modelo pode ser aplicado de forma eficaz.
Limitações e Pontos Negativos do Modelo de Gordon
Apesar de sua simplicidade e utilidade, o Modelo de Gordon tem algumas limitações importantes que o investidor deve considerar:
- Não Há Garantia de Dividendos: O principal problema é que ele se baseia na premissa de crescimento constante dos dividendos, o que raramente ocorre na prática, pois as empresas enfrentam dificuldades econômicas e ciclos que afetam a previsibilidade dos pagamentos.
- Inviável para Empresas em Crescimento: O modelo não funciona bem para empresas que estão em crescimento acelerado, como startups ou empresas de tecnologia. Nestes casos, a taxa de crescimento dos dividendos pode ser superior à taxa de desconto, o que resultaria em um valor negativo, impossibilitando o uso do modelo.
- Oscilação da Rentabilidade: Empresas de setores sujeitos a grande volatilidade ou mudanças econômicas podem ter os seus dividendos e o valor das ações significativamente impactados. Alterações na taxa de juros, por exemplo, podem modificar a taxa de retorno exigida (k), o que afeta o preço calculado pela fórmula.
- Não Aplicável a Empresas com Problemas Financeiros: O modelo não deve ser utilizado para empresas que passam por dificuldades financeiras, como aquelas que têm prejuízos recorrentes ou estão em recuperação judicial, pois os dividendos podem ser inconsistentes ou inexistentes.
- Crescimento dos Dividendos Não Pode Superar o Custo de Capital: Caso a taxa de crescimento dos dividendos (g) seja maior que a taxa de desconto (k), o modelo de Gordon perde a validade. Isso ocorre porque a fórmula resultaria em um valor negativo ou indefinido, o que é impraticável.
Como Utilizar o Modelo de Gordon com Sabedoria
Para obter bons resultados utilizando o Modelo de Gordon, é essencial que o investidor esteja ciente de suas limitações e considere outras ferramentas de análise. Ele não deve ser usado isoladamente na precificação de ativos, mas sim em conjunto com outras métricas financeiras e modelos de valuation.
Por exemplo, a análise fundamentalista, que considera aspectos como o setor de atuação da empresa, sua capacidade de crescimento e a situação macroeconômica, deve ser combinada com a precificação proposta pelo Modelo de Gordon. Dessa forma, é possível obter um panorama mais completo sobre o valor da ação.
O Modelo de Gordon e o Mercado Financeiro
O Modelo de Gordon é amplamente utilizado no mercado financeiro como uma referência para precificação de ações que distribuem dividendos de forma consistente. Investidores que desejam comprar ações focando em renda fixa e dividendos encontram nesse modelo uma ferramenta importante. No entanto, o modelo possui limitações claras quando aplicado a setores especulativos ou a empresas em crescimento acelerado, como é o caso de muitas startups e companhias de tecnologia.
No Brasil, o uso do Modelo de Gordon é comum para avaliar fundos imobiliários (FII) e empresas tradicionais, que têm uma tendência de distribuição constante de dividendos. Já nos Estados Unidos, muitos investidores utilizam o modelo para calcular o valor de blue chips, como empresas do setor de energia, que apresentam dividendos estáveis e previsíveis.
É importante lembrar que o modelo assume que os dividendos crescerão para sempre a uma taxa constante, o que é uma premissa bastante otimista. Investidores devem considerar que, em cenários de crise econômica, empresas podem reduzir ou até mesmo interromper o pagamento de dividendos, tornando o valor calculado pelo Modelo de Gordon incorreto.
Quando Utilizar o Modelo de Gordon
Como já mencionado, o Modelo de Gordon é mais indicado para empresas maduras e estáveis, que têm uma previsão clara de pagamento de dividendos. Se você está avaliando investir em ações de uma instituição financeira tradicional ou de uma empresa de serviços públicos, o Modelo de Gordon pode ser bastante útil.
No entanto, para empresas com alta volatilidade ou crescimento rápido, como é o caso de empresas de tecnologia ou criptomoedas, é recomendável utilizar outras abordagens de valuation. Investimentos em ativos de renda variável, como bitcoin ou startups, exigem métodos mais dinâmicos e menos dependentes de fluxos constantes de dividendos.
Considerações Finais
O Modelo de Gordon é uma ferramenta clássica e de fácil compreensão para quem deseja precificar ações com base no pagamento de dividendos. Contudo, ele possui limitações que devem ser levadas em consideração. Utilizá-lo de forma isolada pode levar a decisões de investimento equivocadas, especialmente em cenários de alta volatilidade ou para empresas em crescimento.
Para maximizar suas chances de sucesso, é essencial combinar o Modelo de Gordon com outras ferramentas de análise, como análise de balanços, análise de mercado e outras metodologias de valuation. Dessa forma, é possível obter uma visão mais ampla do mercado financeiro e fazer escolhas de investimento mais informadas e seguras.
Se você está começando agora no mundo dos investimentos, lembre-se de sempre buscar entender os conceitos por trás dos modelos, como taxa Selic, IPCA, custo de capital e como eles impactam o cálculo dos valores dos ativos. O uso do Modelo de Gordon deve ser apenas uma peça dentro do seu arsenal de ferramentas para investir de forma consciente e bem-informada.